12 de maio de 2014

Linchamentos, justiçamentos... O partido do governo incentiva a “justiça” com as próprias mãos. Joaquim Barbosa ameaçado!


O Brasil vive uma onda de “justiçamentos”. Pessoas que, geralmente em grupo, procuram resolver com os próprios recursos as questões que lhes afligem. Assumem um papel que deveria ser reclamado pelo Estado. Contudo, isso não acontece por acaso, não vem “do nada”, como dizem por aí. Vem de ações e omissões seguidas de um governo composto em grande parte por pessoas que no passado se acharam no direito também de fazer a tal “justiça” com as próprias mãos. E que têm como aliados políticos grupos que ainda procedem dessa maneira.

O PT, da Presidente Dilma, José Dirceu e Genoíno, tradicionalmente idolatra criminosos condenados e presos, como os que ocupam o presídio da Papuda. A situação é tão absurda que um de seus conselheiros resolveu essa semana, segundo reportagem da Veja, ameaçar de morte o Ministro-chefe do Supremo Tribunal Federal, “caso aconteça alguma coisa com José Genoíno.

Veja a mensagem atribuída a Sérvolo Aymoré, membro - pasmem – da Comissão de ética do PT.

"Contra Joaquim Barbosa toda violência é permitida, porque não se trata de um ser humano, mas de um monstro e de uma aberração moral das mais pavorosas... Joaquim Barbosa deve ser morto. Ponto Final. Estou ameaçando a um monstro que é uma ameaça ao meu país. Barbosa é um monstro e como monstro deve ser tratado”.

O PT é indissociável do planalto. Portanto, as atitudes, ou “não atitudes”, do partido serão sempre entendidas como consoantes com o pensamento da Presidente. A instituição deveria pelo menos emitir uma nota repudiando tal declaração, ou a presidente deveria, no mínimo, dizer em rede nacional que discorda de tais posições.

Mas, o PT já avisou que não vai se manifestar.

Hoje (12/05/2014) pela manhã dezenas de ônibus foram atravessados em ruas e avenidas do centro de São Paulo. Algumas dezenas de rodoviários, de uma única empresa, querem reajuste salarial. Eles acham que é justo receberem um salário melhor, e fazendo também a própria justiça, descumprindo a lei, impedem o direito de ir e vir de centenas de milhares de pessoas. Emergências médicas, aulas, serviços essenciais, tudo isso é prejudicado por conta de mais grupo que segue a onda de “fazer justiça social” que assola o país.

Há algumas semanas dezenas de moradores de uma favela no Guarujá, fazendo também a sua própria justiça, assassinaram uma dona de casa porque a mesma tinha os cabelos loiros e havia dado uma banana para uma criança. Para eles isso era a prova de que era uma suposta bruxa que sequestrava crianças para rituais de magia negra.

É bastante obvio que todas essas questões estão ligadas. A sociedade é sustentada por um emaranhado de instituições sociais, direitos, regras, costumes etc. A própria fé de que a lei é igual para todos, e de que vai ser cumprida, faz parte disso tudo. Esse conjunto é chamado de estrutura social.

Quando existe certeza de que a lei pode ser relativizada ha uma rachadura grave na estrutura.

Um texto encontrado no site do MST é uma pequena amostra desse interesse por forçar uma relativização da lei. O articulista tenta desestimular o cumprimento da lei dizendo que o Brasil está criminalizando a luta por justiça social. O texto acusa, pasmem, o Judiciário de tentar cumprir a lei.

Assim, a onda de violência e criminalização que os movimentos sociais enfrentam ultimamente, tendo setores do Poder Judiciário e o aparato policial como instrumentos executores dessa política... Para justificar a repressão agora, setores do Judiciário afirmam — contando com o apoio e reforço da mídia — que os movimentos sociais do campo, especialmente o MST, colocam em risco o Estado Democrático de Direito.



Na medida em que se recebe com beijos e afagos no gabinete presidencial pessoas que com suas próprias mãos vandalizam e invadem propriedade alheia, esta se enviando para todos os brasileiros que possuem alguma demanda o seguinte recado: Não temos condições de prover as soluções para todos os problemas, mas somos um governo de revolucionários, acreditamos que a sociedade unida pode fazer a verdadeira justiça social. Por isso, nós apoiaremos e protegeremos aqueles que cometem crimes em nome dos interesses da coletividade. Se vocês acham que aquela terra é improdutiva, invadam. Isso vai apressar a burocracia para a expropriação. Se vocês não têm casa, invadam edifícios, isso vai acelerar a implementação de políticas habitacionais. Se vocês querem a apuração mais rápida de algum crime, queimem ônibus, isso vai acelerar a solução... Se vocês querem justiça social, seja em que situação, tomem a iniciativa e a façam, o governo vai lhes apoiar.

Não foi o comentário de Rachel Sheherazade, como dizem alguns, que incentivou o linchamento do Guarujá. O que incentivou o linchamento no Guarujá, assim como a surra em um menor no Rio, são as omissões e conivência de membros do governo, que tem compactuado com as diversas ações ilegais que ocorrem sistematicamente todos os dias, gerando na sociedade a impressão de que aquilo que se faz em grupo é parte da implantação de uma espécie de “justiça social”.

Nenhuma lei pode ser burlada, nenhum crime pode ser relevado, seja realizado em grupo ou individualmente. Todas as infrações devem ser apuradas e as punições divulgadas para dissuadir potenciais infratores. Somente quando a sociedade ver nas autoridades a disposição em aplicar a lei rigorosamente em relação a TODAS as infrações que chegam ao seu conhecimento, independente de partidos e movimentos dos quais façam parte os suspeitos, a criminalidade, os vandalismo e os justiçamentos que tem ocorrido vão diminuir.


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